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Estudantes do Japão, da China e da Coreia do Sul formarão uma única equipe em Tóquio: IBC 2026 mostra como a próxima geração da Ásia aprende a competir sem deixar de cooperar

16 de agosto de 2026 | The Wright Brothers News

Três universitários.

Um do Japão.

Um da China.

Um da Coreia do Sul.

Eles não se conhecem.

Não falam a mesma língua materna.

Cresceram em sociedades diferentes.

Estudaram em sistemas educacionais diferentes.

Podem ter maneiras completamente diferentes de discutir, tomar decisões, lidar com hierarquia, assumir riscos e exercer liderança.

Então recebem uma instrução simples:

“A partir de agora, vocês são uma equipe.”

Durante cerca de uma semana, terão que viver e trabalhar juntos.

A língua comum será o inglês.

Eles precisarão criar um plano de negócios.

Defender suas ideias.

Questionar as ideias dos colegas.

Mudar de estratégia quando necessário.

E competir contra outras equipes.

Esse é o International Business Contest — IBC.

De 19 a 25 de agosto de 2026, Tóquio receberá o IBC 2026, organizado pela entidade estudantil OVAL JAPAN.

OVAL significa:

Our Vision for Asian Leadership

ou:

“Nossa Visão para a Liderança Asiática.”

Mas, visto do Brasil, há uma pergunta ainda mais interessante:

O que uma competição entre jovens japoneses, chineses e sul-coreanos pode ensinar a um país do outro lado do mundo?

Talvez muito.

Porque o Brasil também sabe o que significa tentar transformar diferenças gigantescas em uma sociedade capaz de caminhar junta.

目次

Para um brasileiro, imagine uma mistura de desafio de startups, intercâmbio internacional e competição universitária

O formato não é tão distante da realidade brasileira.

Nossas universidades também têm:

hackathons,

empresas juniores,

desafios de inovação,

competições de startups,

maratonas de tecnologia,

incubadoras,

programas de empreendedorismo,

competições de cases,

centros acadêmicos,

ligas universitárias,

projetos de extensão.

Universidades como USP, Unicamp, FGV, Insper, ITA, UFRJ, UFMG e muitas outras desenvolveram ambientes onde estudantes não ficam apenas na sala de aula.

Eles organizam projetos.

Criam empresas.

Participam de competições.

Fazem apresentações.

Buscam parceiros.

Resolvem problemas reais.

Nesse sentido, um estudante brasileiro pode compreender rapidamente o espírito do IBC.

Mas existe uma diferença fundamental.

A equipe é formada por:

um japonês,

um chinês,

um sul-coreano.

Três países.

Três culturas.

Uma equipe.

E um único resultado.

Não é um intercâmbio onde basta fazer amigos

Conhecer pessoas de outros países já é importante.

Mas o IBC coloca os participantes em uma situação muito mais difícil:

eles precisam entregar alguma coisa juntos.

Há competição.

Há avaliação.

Há apresentação.

Há classificação.

Há vencedores.

Portanto, não basta sorrir para a fotografia.

Em algum momento alguém terá que dizer:

“Eu não concordo com você.”

É justamente aí que a diversidade deixa de ser uma palavra bonita e começa a ser testada.

Imagine duas da manhã em Tóquio

A apresentação final será no dia seguinte.

Todo mundo está cansado.

O estudante japonês quer mudar o público-alvo.

A estudante chinesa acredita que o modelo de negócios é conservador demais.

O estudante sul-coreano quer refazer praticamente todo o pitch.

Faltam poucas horas.

Cada um acredita que sua proposta é a melhor.

Quem decide?

Não existe professor com gabarito.

Não existe uma resposta correta escondida no final do livro.

Eles precisam resolver.

Em inglês.

Não o inglês de uma prova.

Mas o inglês necessário para dizer:

“Sua ideia não me convenceu.”

“Por quê?”

“Explique novamente.”

“Eu estava errado.”

“Você tinha razão.”

“Vamos começar de novo.”

Isso já não é simplesmente aprender inglês.

Isso é aprender liderança.

O brasileiro conhece bem a arte de construir uma equipe com pessoas muito diferentes

O Brasil é quase um continente.

São Paulo não é Salvador.

Manaus não é Porto Alegre.

Recife não é Curitiba.

Belém não é Belo Horizonte.

Rio de Janeiro não é Brasília.

Goiânia não é Fortaleza.

Temos sotaques diferentes.

Histórias diferentes.

Culinárias diferentes.

Influências indígenas, africanas, europeias, asiáticas e de muitas outras origens.

Temos diferenças regionais enormes.

E ainda assim existe algo que chamamos de Brasil.

Por isso, talvez o brasileiro entenda intuitivamente uma das principais mensagens do IBC:

unidade não significa uniformidade.

E há uma conexão muito especial entre o Brasil e o Japão

Aqui a história fica particularmente interessante.

Para muitos países, o Japão é distante.

Para o Brasil, existe uma ponte humana construída ao longo de gerações.

O Brasil abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão.

A imigração japonesa deixou marcas profundas na sociedade brasileira.

São Paulo.

Paraná.

Pará.

Agricultura.

Comércio.

Gastronomia.

Cultura.

Educação.

Esportes.

Empresas.

Famílias.

Palavras como nikkei e dekassegui fazem parte de uma história compartilhada entre os dois países.

Poucas relações internacionais são tão humanas quanto essa.

Liberdade, no coração de São Paulo, conta parte dessa história

Quem caminha pela Liberdade percebe imediatamente essa conexão.

Placas.

Restaurantes.

Mercados.

Festivais.

Templos.

Produtos asiáticos.

Elementos da cultura japonesa que passaram a fazer parte da própria paisagem paulistana.

Mas a história Japão-Brasil é muito maior que um bairro.

Ela vive em famílias.

Em sobrenomes.

Em empresas.

Em pessoas que nasceram no Brasil e possuem raízes japonesas.

E também em brasileiros que foram trabalhar e construir suas vidas no Japão.

Existe, portanto, uma pergunta interessante para o Brasil

Durante mais de um século, Brasil e Japão construíram pontes entre pessoas.

Agora, no século XXI, quais serão as próximas pontes?

Tecnologia?

Startups?

Inteligência artificial?

Agronegócio?

Energia?

Sustentabilidade?

Games?

Robótica?

Biotecnologia?

Data centers?

Mobilidade?

Talvez a próxima fase da relação Brasil-Japão seja construída justamente por jovens capazes de trabalhar internacionalmente.

E o Brasil também precisa compreender cada vez melhor a China

Se existe um país asiático que o Brasil não pode observar superficialmente, é a China.

A relação Brasil-China tornou-se central para a economia brasileira.

Agronegócio.

Minério.

Energia.

Comércio.

Infraestrutura.

Tecnologia.

Investimentos.

Veículos elétricos.

Máquinas.

Produtos industriais.

A China é um dos atores econômicos mais importantes para o Brasil.

Mas existe um risco.

Conhecer a China apenas por números.

A China não é apenas um parceiro comercial. É uma sociedade com uma enorme geração de talentos

No ambiente do OVAL participam estudantes de instituições chinesas de altíssimo nível, incluindo:

Peking University

e

Tsinghua University.

Estamos falando de universidades que ajudam a formar pesquisadores, engenheiros, empreendedores e líderes de uma das maiores economias do planeta.

A China contemporânea desenvolveu capacidades impressionantes em áreas como:

veículos elétricos,

baterias,

energia solar,

drones,

telecomunicações,

inteligência artificial,

comércio eletrônico,

manufatura avançada,

infraestrutura.

Portanto, quando um estudante japonês encontra um estudante chinês no IBC, ele não está simplesmente conhecendo “outra cultura”.

Ele pode estar encontrando um competidor extremamente forte.

Ou um futuro parceiro extraordinário.

Respeitar alguém também significa:

reconhecer sua capacidade.

Para o Brasil, essa lição é particularmente importante

Durante décadas, parte do imaginário brasileiro olhou principalmente para:

Estados Unidos

e

Europa.

Essas relações continuam importantes.

Mas o século XXI exige um mapa mental maior.

China.

Japão.

Coreia do Sul.

Índia.

Sudeste Asiático.

Oriente Médio.

A economia global está se tornando cada vez mais multipolar.

O jovem brasileiro que compreender cedo essa transformação terá uma vantagem enorme.

E a Coreia do Sul também já entrou no cotidiano brasileiro

Samsung.

Hyundai.

LG.

K-pop.

K-dramas.

Cosméticos.

Tecnologia.

Games.

A Coreia do Sul tornou-se culturalmente muito mais visível para os brasileiros.

Mas por trás dessa influência existe uma das economias tecnológicas mais sofisticadas do mundo.

No ambiente do IBC, estudantes de instituições como a Seoul National University participam desse encontro entre talentos do Leste Asiático.

Assim, o IBC não é simplesmente uma conversa Japão-China.

É um triângulo:

Japão — China — Coreia do Sul.

E talvez o Brasil devesse imaginar um quarto lugar nessa mesa

Vamos fazer um exercício.

Um japonês.

Um chinês.

Um sul-coreano.

E um brasileiro.

Qual seria a contribuição brasileira?

Talvez criatividade.

Talvez improvisação.

Talvez capacidade de relacionamento.

Talvez uma visão de mercados emergentes.

Talvez agronegócio.

Talvez sustentabilidade.

Talvez fintech.

Talvez energia limpa.

Talvez simplesmente uma pergunta que nenhum dos outros três faria.

É justamente por isso que a diversidade importa.

Diversidade não é colocar quatro bandeiras na fotografia

Essa diferença é fundamental.

Podemos reunir pessoas do:

Japão,

China,

Coreia,

Brasil.

Tirar uma foto.

Postar no Instagram.

Escrever:

“Diversity.”

Mas ainda não sabemos se existe diversidade real.

A verdadeira diversidade começa quando a diferença altera a decisão.

Por exemplo

O estudante chinês percebe uma oportunidade de escala que os demais não viram.

O japonês identifica um risco operacional.

O coreano entende um comportamento do consumidor.

O brasileiro encontra uma solução mais simples para um problema que todos estavam complicando.

O projeto muda.

Fica melhor.

Não apesar das diferenças.

Por causa delas.

É nesse momento que diversidade se transforma em valor.

O Brasil conhece muito bem essa discussão

Falar sobre diversidade no Brasil significa tocar em uma realidade profunda.

Diferenças regionais.

Sociais.

Raciais.

Culturais.

Econômicas.

Geracionais.

O país é diverso por natureza.

Mas existir lado a lado não significa automaticamente incluir.

Essa distinção também aparece no IBC.

Não basta colocar pessoas diferentes na mesma sala.

É preciso permitir que sejam ouvidas.

Ontem falamos sobre diversidade. Hoje falamos sobre o que acontece depois

É fácil defender a diversidade quando todos concordam.

O teste real começa quando alguém diz:

“Não.”

Quando sua melhor ideia é rejeitada.

Quando alguém fala de uma forma que incomoda você.

Quando outro fica em silêncio.

Quando o prazo está chegando.

Quando todos estão cansados.

Você continua respeitando aquela pessoa?

Consegue perguntar:

“Por que você pensa assim?”

Se consegue, a diversidade começa a virar colaboração.

Existe uma expressão brasileira que combina muito com essa história: “dar um jeito”

O famoso jeitinho brasileiro pode ter sentidos positivos e negativos.

Mas existe uma característica brasileira que, usada com responsabilidade, é extremamente valiosa:

a capacidade de encontrar caminhos quando o plano original não funciona.

Improvisar.

Adaptar.

Conversar.

Conectar pessoas.

Resolver.

Em uma equipe multicultural sob pressão, essa flexibilidade pode ser uma grande competência.

Mas há uma condição:

flexibilidade precisa caminhar junto com disciplina e responsabilidade.

E talvez seja justamente aí que Brasil e Japão tenham muito a aprender um com o outro

Existe um estereótipo de que o Japão representa:

planejamento,

organização,

disciplina,

precisão.

E o Brasil:

criatividade,

flexibilidade,

espontaneidade,

capacidade de improvisação.

A realidade, claro, é muito mais complexa.

Mas existe uma ideia interessante:

e se combinarmos os pontos fortes?

Planejamento sem rigidez.

Criatividade sem desorganização.

Disciplina com capacidade de adaptação.

Talvez algumas das melhores equipes internacionais nasçam exatamente dessa combinação.

O futebol brasileiro também ensina algo sobre diversidade e equipe

Pense em um grande time.

Nem todos os jogadores precisam ter as mesmas características.

Um excelente goleiro não precisa jogar como atacante.

Um zagueiro não precisa ter as mesmas habilidades de um ponta.

Um meia enxerga espaços que outro jogador talvez não veja.

A força está justamente na diferença.

Mas existe uma condição:

todos precisam entender o jogo coletivo.

Uma equipe internacional funciona da mesma maneira.

E o futebol também mostra como adversários podem virar companheiros

Um jogador brasileiro pode enfrentar um argentino pela seleção.

Meses depois, os dois jogam juntos no mesmo clube europeu.

Hoje adversários.

Amanhã companheiros.

O business internacional funciona assim.

Hoje uma empresa chinesa pode ser concorrente.

Amanhã pode ser fornecedora.

Hoje uma empresa japonesa disputa o mesmo contrato.

Amanhã participa de uma joint venture.

Hoje uma empresa coreana compete pelo consumidor.

Amanhã fornece a tecnologia.

Por isso, competir sem destruir relações é uma habilidade estratégica.

O IBC ensina exatamente isso

Competição não precisa significar hostilidade.

Cooperação não precisa significar ausência de competição.

Você pode querer vencer alguém.

E ainda respeitá-lo.

Pode discordar.

E continuar trabalhando.

Pode reconhecer:

“Seu argumento é melhor que o meu.”

Essa talvez seja uma das formas mais maduras de liderança.

Culture Study: antes de julgar uma pessoa, tente entender sua cultura

O IBC reserva tempo para o Culture Study, dedicado à compreensão das culturas de Japão, China e Coreia do Sul.

Isso é muito mais importante do que parece.

Porque muitos conflitos internacionais não começam com grandes diferenças políticas.

Começam com pequenas interpretações erradas.

Uma pessoa fica em silêncio.

“Ela não tem iniciativa.”

Talvez não.

Uma pessoa fala diretamente.

“Ela é arrogante.”

Talvez não.

Alguém demora para decidir.

“É inseguro.”

Talvez esteja construindo consenso.

Alguém responde rapidamente.

“É impulsivo.”

Talvez esteja acostumado a outro ritmo de negócios.

Um líder internacional precisa perguntar:

“Estou julgando a pessoa ou interpretando seu comportamento apenas pelas regras da minha própria cultura?”

Essa pergunta também serve para brasileiros trabalhando no Japão

Brasileiros e japoneses podem ter estilos de comunicação bastante diferentes.

O brasileiro pode ser:

mais expressivo,

mais informal,

mais rápido para criar proximidade.

O japonês pode valorizar:

contexto,

hierarquia,

preparação,

consenso,

formas mais indiretas de comunicação.

Naturalmente, nenhuma pessoa representa um país inteiro.

Mas compreender tendências culturais pode evitar muitos conflitos.

Isso vale para estudantes.

E vale ainda mais para empresas.

OVAL JAPAN é administrada pelos próprios estudantes

Esse é outro aspecto que merece atenção do Brasil.

OVAL JAPAN não é uma consultoria organizando uma experiência para universitários.

Os próprios estudantes assumem grande parte da responsabilidade.

Participam jovens de universidades japonesas como:

University of Tokyo,

Waseda University,

Keio University,

Sophia University,

entre outras.

Eles precisam:

planejar,

organizar,

negociar,

buscar apoio,

coordenar com China e Coreia,

resolver problemas,

administrar eventos,

e transmitir a organização para a próxima geração.

Em outras palavras:

OVAL não apenas ensina liderança.

Ela entrega responsabilidade.

No Brasil, quem já participou de uma Empresa Júnior entende isso imediatamente

Talvez esta seja uma das melhores comparações brasileiras.

O movimento de Empresas Juniores é muito forte no Brasil.

Universitários assumem projetos reais.

Atendem clientes.

Gerenciam equipes.

Negociam.

Entregam resultados.

Aprendem errando e fazendo.

É o famoso:

learning by doing.

Por isso, estudantes brasileiros envolvidos em Empresas Juniores provavelmente reconheceriam rapidamente o espírito da OVAL.

O Brasil, aliás, possui um dos movimentos de Empresas Juniores mais impressionantes do mundo

Esse é um ponto do qual o país pode se orgulhar.

O ecossistema brasileiro de Empresas Juniores desenvolveu uma cultura extraordinária de protagonismo universitário.

Jovens assumem responsabilidades que, em muitos lugares, só receberiam anos depois de entrar no mercado.

Nesse sentido, Brasil e OVAL compartilham uma filosofia poderosa:

não espere o jovem virar executivo para começar a ensinar liderança.

Dê responsabilidade agora.

Imagine uma ponte entre OVAL e o ecossistema universitário brasileiro

Agora imagine:

OVAL JAPAN,

universidades chinesas,

universidades coreanas,

Empresas Juniores brasileiras,

USP,

FGV,

Insper,

ITA,

Unicamp,

universidades federais.

Equipes trabalhando em problemas comuns.

Desmatamento.

Agricultura sustentável.

Cidades inteligentes.

Mobilidade.

Inteligência artificial.

Envelhecimento populacional.

Energia limpa.

Segurança alimentar.

Fintech.

Mudanças climáticas.

A distância entre São Paulo e Tóquio é enorme.

Mas os problemas do futuro atravessam oceanos.

A pandemia mostrou por que o encontro presencial continua importante

Durante a COVID-19, aprendemos a trabalhar por:

Zoom,

Teams,

Google Meet.

Isso foi essencial.

Mas existe uma diferença.

Depois de uma discussão online, você pode fechar o notebook.

Quando vive e trabalha uma semana com a mesma equipe, não.

A pessoa com quem você discutiu ontem estará no café da manhã.

Depois na reunião.

Depois na apresentação.

É preciso encontrar uma maneira de continuar.

Essa dificuldade também faz parte da formação.

Em 2025, o IBC aconteceu em Xangai. Em 2026, volta a Tóquio

A edição anterior foi realizada em Xangai, China.

Agora, em agosto de 2026, a competição retorna ao Japão.

Tóquio volta a receber jovens de três países.

Essas cidades começam a representar algo diferente para os participantes.

Não apenas:

“China.”

“Japão.”

“Coreia.”

Mas:

“o lugar onde conheci aquela pessoa.”

Países são palavras grandes demais

“China.”

1,4 bilhão de pessoas.

“Japão.”

Mais de cem milhões.

“Brasil.”

Mais de duzentos milhões.

Nenhuma pessoa representa tudo isso.

Quando conhecemos alguém de verdade, a nacionalidade começa a ganhar um rosto.

“O chinês” vira:

o colega que entende números melhor que todo mundo.

“O japonês”:

a pessoa que revisou o slide três vezes antes de dormir.

“O coreano”:

quem salvou o pitch às duas da manhã.

“O brasileiro”:

quem fez todos voltarem a conversar depois de uma discussão.

É assim que estereótipos começam a perder força.

E talvez essa seja uma das maiores forças dos intercâmbios entre jovens

Governos precisam conversar.

Empresas precisam negociar.

Diplomatas precisam trabalhar.

Mas existe uma camada mais profunda das relações internacionais:

memória pessoal.

Quando você possui um amigo em determinado país, aquele país nunca mais é apenas uma notícia.

Isso pode parecer pequeno.

Não é.

Brasil e Japão são uma prova histórica disso

Por trás de mais de um século de relações existem pessoas.

Japoneses que atravessaram o oceano.

Brasileiros descendentes desses imigrantes.

Brasileiros que foram trabalhar no Japão.

Famílias que passaram a existir entre os dois países.

Empresas construídas.

Amizades.

Casamentos.

Histórias.

A diplomacia cria pontes.

Mas pessoas transformam pontes em caminhos.

Brasil e China estão escrevendo outra história

A relação é diferente.

Mais recente em escala.

Muito econômica.

Muito comercial.

Mas também pode ganhar uma dimensão cada vez mais humana.

Mais estudantes brasileiros conhecendo a China.

Mais chineses conhecendo o Brasil.

Mais empreendedores trabalhando juntos.

Mais pesquisadores.

Mais universidades.

Mais jovens.

Quanto mais relações humanas existirem, menos os dois países dependerão de estereótipos para se compreender.

E a Coreia do Sul mostra como cultura também aproxima países

Há poucas décadas, muitos brasileiros sabiam relativamente pouco sobre a Coreia.

Hoje milhões conhecem:

música,

séries,

cinema,

comida,

cosméticos,

tecnologia.

A cultura abriu uma porta.

Depois vêm:

turismo,

estudo,

negócios,

amizades,

investimentos.

Às vezes uma relação internacional começa com algo aparentemente pequeno.

Liderança aparece antes do cargo

Em uma equipe de três estudantes, quem é o CEO?

Ninguém.

Então quem lidera?

Talvez não seja quem fala mais alto.

Pode ser quem percebe que a discussão perdeu o foco.

Quem pergunta:

“Qual problema estamos realmente tentando resolver?”

Quem chama a pessoa mais quieta para falar.

Quem admite:

“Minha ideia não é a melhor.”

Quem consegue manter a equipe unida sem eliminar as diferenças.

Isso é liderança.

O Brasil precisa desse tipo de líder

O Brasil possui problemas enormes.

Mas também possui oportunidades enormes.

Agronegócio.

Energia renovável.

Biodiversidade.

Tecnologia financeira.

Aviação.

Mineração.

Indústria.

Economia criativa.

Turismo.

Inteligência artificial.

Para transformar potencial em resultados, precisaremos de pessoas capazes de conectar o Brasil ao mundo.

Não apenas pessoas que falem inglês.

Mas pessoas que saibam trabalhar com diferenças.

IBC não é a única iniciativa da OVAL

OVAL JAPAN também desenvolve outras atividades.

Entre elas:

TIBC — Tokyo International Business Contest

e

SEP — Staff Exchange Program.

No SEP, os próprios membros das equipes OVAL do Japão, China e Coreia do Sul se encontram.

Eles precisam planejar juntos.

Criar regras.

Organizar programas.

E também competir.

Ou seja:

quem organiza a diversidade também precisa vivê-la.

Depois de mais de vinte anos, surge uma nova pergunta

OVAL nasceu no Japão em 2003.

Mais de duas décadas se passaram.

Agora existe um desafio:

como levar essa experiência a mais jovens?

Uma semana intensa pode transformar profundamente algumas dezenas de pessoas.

Mas como alcançar milhares?

Vídeos?

Redes sociais?

Novos programas?

Parcerias internacionais?

Não existe resposta simples.

Porque assistir a um conflito é diferente de precisar resolvê-lo.

Mas cem estudantes talvez sejam muito mais do que cem

Hoje eles são universitários.

Daqui a quinze ou vinte anos, alguns poderão ser:

fundadores,

executivos,

investidores,

pesquisadores,

professores,

engenheiros,

gestores públicos.

Talvez um deles precise decidir sobre um investimento no Brasil.

Talvez outro trabalhe com uma empresa brasileira.

Talvez um brasileiro participe de um projeto no Japão, na China ou na Coreia.

Então uma experiência vivida aos vinte anos pode reaparecer.

Em 19 de agosto, uma pequena Ásia Oriental nascerá em Tóquio

Os estudantes do IBC 2026 não resolverão todos os problemas entre Japão, China e Coreia do Sul.

Nem deveriam.

Farão algo menor.

Vão se encontrar.

Comer juntos.

Trabalhar.

Discutir.

Competir.

Perder.

Ganhar.

Ficar cansados.

Rir.

Talvez chorar.

E voltar para casa.

Mas alguma coisa poderá ter mudado.

Quando um japonês ouvir a palavra:

“China”

talvez não pense apenas em geopolítica.

Talvez se lembre do colega que ficou acordado com ele até duas da manhã.

Quando um chinês ouvir:

“Coreia”

talvez se lembre da pessoa que destruiu sua primeira ideia e ajudou a construir uma melhor.

Quando um coreano ouvir:

“Japão”

talvez se lembre de alguém com quem dividiu uma derrota.

Talvez seja assim que a cooperação internacional realmente começa

Nem sempre começa em Brasília.

Nem sempre em Tóquio.

Nem em Pequim.

Nem em Seul.

Nem em uma reunião entre presidentes.

Às vezes começa com:

três estudantes,

uma mesa,

três notebooks,

uma planilha,

uma apresentação inacabada,

e uma frase:

“Eu não concordo.”

O outro pergunta:

“Por quê?”

A conversa continua.

Ninguém abandona a mesa.

Pode parecer pouco.

Mas todas as grandes pontes entre países começaram, em algum momento, com pessoas dispostas a continuar conversando.

Notas da redação

O que é OVAL JAPAN?

OVAL JAPAN é uma organização estudantil japonesa que conecta universitários do Japão, China e Coreia do Sul por meio de competições de negócios e programas de intercâmbio.

OVAL significa:

Our Vision for Asian Leadership.

O que é IBC?

IBC — International Business Contest é uma competição internacional na qual estudantes do Japão, China e Coreia do Sul formam equipes multinacionais e desenvolvem planos de negócios, utilizando principalmente o inglês.

Quando será realizado o IBC 2026?

De 19 a 25 de agosto de 2026, em Tóquio, Japão.

Quais universidades estão relacionadas ao ambiente OVAL?

Ao longo das edições, participaram estudantes de importantes universidades do Leste Asiático, incluindo:

Peking University,

Tsinghua University,

Seoul National University,

University of Tokyo,

Waseda University,

Keio University,

Sophia University,

entre outras.

Existe algo parecido no Brasil?

Não existe um equivalente perfeitamente idêntico.

Mas alguns elementos podem ser comparados a:

Empresas Juniores,

competições de cases,

hackathons,

programas universitários de empreendedorismo,

incubadoras,

aceleradoras,

desafios de inovação,

e organizações estudantis.

Uma diferença fundamental é que a identidade da OVAL está centrada especificamente na colaboração entre jovens do Japão, China e Coreia do Sul.

Por que as Empresas Juniores brasileiras merecem destaque nessa comparação?

Porque o Brasil possui um ecossistema universitário muito forte de Empresas Juniores, no qual estudantes assumem responsabilidades reais, atendem projetos, organizam equipes e desenvolvem liderança antes mesmo de entrar definitivamente no mercado de trabalho.

Nesse sentido, existe uma afinidade importante com a filosofia de OVAL:

aprender liderança assumindo responsabilidade.

Por que essa história é importante para brasileiros?

Porque as relações do Brasil com a Ásia são cada vez mais importantes.

O Japão possui uma relação histórica e humana única com o Brasil.

A China é um dos parceiros econômicos mais importantes do país.

A Coreia do Sul tem presença crescente em tecnologia, indústria e cultura.

A próxima geração de brasileiros precisará compreender esses países não apenas como mercados, mas como sociedades formadas por pessoas com quem será necessário trabalhar.

O que é TIBC?

TIBC — Tokyo International Business Contest é outro programa de competição empresarial relacionado à OVAL JAPAN.

O que é SEP?

SEP — Staff Exchange Program reúne membros da OVAL do Japão, China e Coreia do Sul para intercâmbio, planejamento e colaboração internacional.

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