
16 de agosto de 2026 | The Wright Brothers News
No Japão, uma rede nacional formada por jovens empresários, gestores e líderes comunitários acaba de alcançar um marco importante na área de diversidade, equidade e inclusão.
A organização é a:
Junior Chamber International Japan — JCI Japan
conhecida em japonês como:
日本青年会議所 — Nihon Seinen Kaigisho
ou simplesmente Japan JC.
Em agosto de 2026, a JCI Japan foi reconhecida no país como a organização japonesa que reúne o maior número de empresas associadas envolvidas em iniciativas de:
DE&I — Diversity, Equity & Inclusion
ou, em português:
Diversidade, Equidade e Inclusão.
O número certificado é:
1.779 empresas.
Para quem vive em Portugal, no Brasil ou em outro país de língua portuguesa, porém, talvez a primeira pergunta seja:
afinal, o que é a JCI Japan?
A resposta é mais próxima do mundo lusófono do que pode parecer.
Portugal e Brasil têm organizações da mesma família
A JCI Japan faz parte da Junior Chamber International — JCI, uma rede mundial dedicada à formação de jovens líderes através de experiências práticas.
E tanto Portugal quanto o Brasil também fazem parte desse mesmo movimento.
Existem oficialmente:
JCI Portugal
e
JCI Brazil.
A JCI opera em mais de 100 países por meio de organizações nacionais e locais, trabalhando principalmente com desenvolvimento pessoal, impacto comunitário, cooperação internacional, negócios e empreendedorismo.
Portanto, JCI Japan, JCI Portugal e JCI Brazil não são apenas organizações parecidas.
Elas pertencem à mesma rede internacional.
Para entender a JCI Japan, não pense apenas em networking
É fácil imaginar que uma Junior Chamber seja apenas um clube de jovens empresários.
Mas isso seria uma visão limitada.
A lógica da JCI é outra:
liderança se aprende fazendo.
Criando projetos.
Assumindo responsabilidades.
Falando em público.
Organizando equipes.
Trabalhando com a comunidade.
Conhecendo pessoas de outros países.
Tomando decisões.
E também aprendendo com os próprios erros.
A JCI descreve sua missão como a formação de jovens líderes capazes de gerar impacto positivo no mundo real.
No Japão, essa filosofia se desenvolveu através de uma rede profundamente ligada às comunidades locais.
Muitos membros são empresários, executivos ou pessoas que ocupam posições de responsabilidade em suas empresas.
Mas o objetivo não é apenas melhorar os próprios negócios.
A pergunta é maior:
o que um jovem líder pode fazer pela cidade e pela sociedade onde vive?
Em Portugal, existe a JCI Portugal
Para um leitor português, existe uma conexão direta.
A JCI Portugal é oficialmente a organização nacional portuguesa da Junior Chamber International.
Atualmente, a JCI registra duas organizações locais em Portugal, com sede nacional em Lisboa.
O tamanho é muito menor do que o da estrutura japonesa.
Mas a lógica fundamental é a mesma.
Desenvolver jovens líderes.
Criar oportunidades para assumir responsabilidades.
Trabalhar em projetos locais.
Conectar Portugal com uma rede internacional de jovens profissionais e empreendedores.
Isso significa que a história das 1.779 empresas japonesas não é apenas uma história distante da Ásia.
Ela vem de uma organização que pertence à mesma família internacional da JCI Portugal.
E no Brasil, a rede é muito maior
Dentro do mundo lusófono, porém, o Brasil tem uma presença ainda mais forte.
A JCI Brazil possui atualmente 38 organizações locais, segundo a Junior Chamber International.
Isso faz do Brasil um ponto particularmente interessante de comparação com o Japão.
Os dois países possuem enormes diferenças culturais e sociais.
Mas ambos possuem:
grandes territórios,
fortes economias regionais,
muitas pequenas e médias empresas,
comunidades locais bastante distintas,
e jovens empreendedores que precisam aprender a liderar em realidades muito diferentes.
Uma organização local em São Paulo enfrenta desafios diferentes de uma organização no interior do Brasil.
Da mesma forma, uma Junior Chamber em Tóquio não enfrenta os mesmos problemas de uma organização em Hokkaido, Kyushu ou Okinawa.
Essa diversidade regional faz parte da força da própria rede.
O Brasil tem uma longa história dentro da JCI mundial
Há também uma ligação histórica importante.
Em 1949, o brasileiro Victor Boucas, da JCI Brazil, tornou-se presidente mundial da Junior Chamber International.
Ou seja, o Brasil participa da liderança global da JCI desde os primeiros anos da organização.
Em 2026, essa presença continua.
Andreia Conte, da JCI Brazil, ocupa o cargo de Vice President da JCI mundial.
Isso mostra que o mundo de língua portuguesa não está na periferia da rede JCI.
Ele faz parte da sua história e da sua liderança.
E o Japão também tem forte presença internacional
O Japão também ocupa um espaço relevante dentro da JCI global.
Em 2026, Keisuke Shimoyamada, da JCI Japan, aparece como Immediate Past President da organização mundial, após ter exercido a presidência no ano anterior.
E outro japonês, Kengo Suzuki, integra em 2026 a direção internacional como Vice President para a região Ásia-Pacífico.
Portanto, quando observamos a JCI Japan, JCI Portugal e JCI Brazil, encontramos um detalhe interessante:
jovens líderes japoneses, portugueses e brasileiros fazem parte da mesma rede global de formação de liderança.
Então, o que significam as 1.779 empresas japonesas?
A sigla DE&I significa:
Diversity — Diversidade
Equity — Equidade
Inclusion — Inclusão
À primeira vista, esses termos podem parecer parte da linguagem de grandes multinacionais.
Mas as questões reais são bastante concretas.
Uma mulher pode chegar à liderança?
Um pai pode participar mais da vida dos filhos sem prejudicar a carreira?
Uma pessoa com deficiência pode usar plenamente suas habilidades?
Um trabalhador estrangeiro pode ser visto simplesmente como colega de equipe?
Uma pessoa jovem pode discordar de um superior?
Um funcionário pode admitir um erro sem medo de ser excluído?
Pessoas com experiências diferentes podem trabalhar juntas?
É aí que a inclusão começa.
Para o Japão, isso virou também uma questão econômica
A sociedade japonesa está envelhecendo rapidamente.
O número de pessoas em idade ativa está diminuindo.
Empresas têm cada vez mais dificuldade para encontrar trabalhadores.
Ao mesmo tempo, cresce a importância de:
mulheres no mercado de trabalho,
profissionais estrangeiros,
pessoas com deficiência,
pais e mães,
pessoas responsáveis pelo cuidado de familiares,
e profissionais com trajetórias diferentes do modelo tradicional.
Por isso, diversidade deixou de ser apenas uma discussão social.
Ela também passou a ser uma questão de competitividade.
Se uma empresa só consegue funcionar com um tipo muito limitado de trabalhador, ela reduz artificialmente seu próprio acesso a talentos.
Portugal conhece muito bem o problema demográfico
Nesse ponto, existe uma conexão particularmente interessante entre Japão e Portugal.
Os dois países convivem com:
envelhecimento populacional,
baixa natalidade,
necessidade de atrair trabalhadores,
e desafios relacionados à manutenção da atividade econômica fora dos maiores centros urbanos.
Lisboa e Porto não representam Portugal inteiro.
Assim como Tóquio e Osaka não representam todo o Japão.
Regiões menores precisam de:
empresas,
jovens,
empreendedores,
profissionais qualificados
e novas oportunidades.
Por isso, o debate japonês sobre pessoas, inclusão e futuro do trabalho pode ser especialmente relevante para leitores portugueses.
E o Brasil vive um desafio quase oposto — mas igualmente relacionado ao talento
O Brasil possui uma escala demográfica e social muito diferente.
É um país marcado por enorme diversidade:
regional,
racial,
cultural,
econômica,
religiosa
e social.
São Paulo não é Bahia.
Rio Grande do Sul não é Amazonas.
Pernambuco não é Santa Catarina.
Minas Gerais não é Pará.
Essa diversidade faz parte da vida brasileira.
Por isso, o Brasil pode olhar para a experiência japonesa por outro ângulo.
O desafio japonês é aprender a ampliar a diversidade dentro de uma sociedade que durante muito tempo foi percebida como relativamente homogênea.
O Brasil já vive a diversidade todos os dias.
Mas precisa responder a outra pergunta:
como transformar essa enorme diversidade humana em oportunidades mais amplas de participação e liderança?
Japão, Portugal e Brasil têm algo muito importante em comum: as pequenas e médias empresas
Quando o mundo pensa no Japão, costuma lembrar de:
Toyota,
Sony,
Honda,
Nintendo.
Mas uma parte enorme da economia japonesa é sustentada por pequenas e médias empresas.
Empresas familiares.
Fabricantes regionais.
Construtoras.
Hotéis.
Restaurantes.
Comércio.
Empresas de serviços.
Startups.
Oficinas altamente especializadas.
Portugal também possui uma economia fortemente dependente de pequenas e médias empresas.
E o Brasil tem milhões de pequenos negócios e empreendedores espalhados pelo território.
É aqui que redes de liderança podem produzir efeitos reais.
Porque uma mudança numa empresa pequena talvez atinja 20 pessoas.
Mas se milhares de empresas mudam ao mesmo tempo, o efeito pode alcançar comunidades inteiras.
O verdadeiro valor do número 1.779 talvez esteja no efeito de rede
Imagine um empresário japonês que decide mudar uma prática interna.
Ele compartilha a experiência com outros membros da Junior Chamber local.
Outro empresário experimenta algo parecido.
Depois, uma terceira empresa adapta a ideia.
Uma experiência de uma cidade chega a outra.
É assim que redes funcionam.
Por isso, a notícia não deveria ser lida apenas como:
“1.779 empresas receberam reconhecimento”.
A história mais interessante é:
1.779 empresas estão conectadas a um ecossistema no qual empresários jovens podem observar e influenciar uns aos outros.
Isso potencializa a mudança.
A JCI Brazil mostra como uma rede local pode produzir impacto
Os projetos reconhecidos pela JCI na América mostram bem essa lógica.
Em 2025, por exemplo, organizações locais da JCI Brazil foram reconhecidas por iniciativas de:
desenvolvimento comunitário,
cooperação internacional,
formação,
crescimento organizacional,
e empreendedorismo.
Isso demonstra que a força da JCI não está apenas no escritório nacional.
Ela está nas organizações locais.
Uma cidade experimenta.
Outra aprende.
Uma ideia se espalha.
Essa lógica é muito próxima do que torna a estrutura japonesa poderosa.
Existe ainda uma conexão interessante com a próxima geração
Em 2026, a própria Junior Chamber International colocou em prática o Global Youth Ambassador Project.
Jovens de 14 a 17 anos são indicados pelas organizações nacionais para participar de programas sobre:
paz,
comunicação,
valores culturais,
e cooperação internacional.
Depois, participam de um encontro global em Nova York e retornam aos seus países para compartilhar o que aprenderam.
Esse detalhe ajuda a entender que a JCI não está interessada apenas em quem lidera empresas hoje.
A rede também pensa:
quem vai liderar o mundo amanhã?
Talvez essa seja a verdadeira ligação entre Japão e o mundo lusófono
O Japão enfrenta uma sociedade que envelhece.
Portugal enfrenta questões demográficas parecidas.
O Brasil precisa transformar uma enorme diversidade social em mais oportunidades.
Os problemas são diferentes.
Mas todos chegam à mesma palavra:
pessoas.
Quem vai criar empresas?
Quem vai assumir responsabilidades?
Quem vai inovar?
Quem vai manter pequenas cidades economicamente vivas?
Quem vai liderar equipes cada vez mais diversas?
Quem vai substituir a geração atual?
Essas perguntas aproximam países que, geograficamente, estão muito distantes.
O Japão possui um conceito chamado “Wa”
Na cultura japonesa existe uma palavra especialmente importante:
和 — Wa
Normalmente traduzida como:
harmonia.
À primeira vista, harmonia e diversidade podem parecer ideias opostas.
Mas na música, a harmonia não nasce de uma única nota.
Ela aparece quando notas diferentes conseguem existir juntas.
Talvez uma sociedade funcione de modo parecido.
A inclusão não deveria significar eliminar as diferenças.
Deveria significar:
aprender a colaborar apesar delas.
O mundo de língua portuguesa também sabe que não existe uma única forma de ser “lusófono”
Portugal e Brasil falam português.
Angola fala português.
Moçambique fala português.
Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste também fazem parte desse universo linguístico.
Mas nenhuma dessas sociedades é igual à outra.
Até o próprio português muda.
Os sotaques mudam.
As palavras mudam.
A comida muda.
A música muda.
A história muda.
As identidades mudam.
E ainda assim existe uma ponte linguística comum.
Isso talvez seja uma das melhores formas de compreender a diversidade.
Ter algo em comum não exige ser igual.
Diversidade não significa abandonar a identidade
Esse ponto é fundamental.
O Japão não precisa se tornar menos japonês para ser mais inclusivo.
Portugal não precisa perder sua identidade.
O Brasil não precisa apagar suas diferenças regionais.
Angola ou Moçambique não precisam copiar modelos europeus ou asiáticos.
Cada sociedade precisa encontrar sua própria forma de inclusão.
Esse é justamente o princípio da diversidade.
O mundo não deveria ficar todo igual.
Pelo contrário.
A diversidade só tem valor porque continuamos diferentes.
1.779 empresas não significam que o trabalho terminou
O reconhecimento da JCI Japan é significativo.
Mas não significa que todas essas empresas tenham resolvido todos os problemas relacionados à inclusão.
A verdadeira avaliação acontece todos os dias.
Quem recebe uma oportunidade?
Quem é ouvido?
Quem consegue avançar na carreira?
Quem pode cuidar da família?
Quem pode discordar?
Quem pode errar?
Quem pode trazer uma ideia nova?
Quem realmente sente que pertence à equipe?
Essas respostas não aparecem em um certificado.
Elas aparecem na cultura diária de cada empresa.
Talvez a principal notícia seja sobre liderança
JCI Japan.
JCI Portugal.
JCI Brazil.
Os nomes mudam.
A dimensão das organizações muda.
As sociedades também.
Mas existe uma ideia comum:
liderança não é apenas ocupar um cargo.
É assumir responsabilidade.
É aprender a trabalhar com pessoas diferentes.
É perceber que uma empresa faz parte de uma comunidade.
É pensar em quem vem depois.
E é usar experiência e capacidade não apenas para o próprio sucesso, mas para produzir algum impacto ao redor.
1.779 empresas japonesas — uma história local com uma pergunta global
A certificação aconteceu no Japão.
Mas a pergunta vale para Lisboa.
Para São Paulo.
Para Porto.
Para Rio de Janeiro.
Para Maputo.
Para Luanda.
E para qualquer cidade onde a próxima geração esteja tentando construir o futuro.
Que tipo de líderes queremos formar?
E ainda:
como podemos permitir que pessoas diferentes participem da construção desse futuro?
O Japão busca sua resposta.
Portugal busca a sua.
O Brasil busca a sua.
Os países africanos de língua portuguesa também seguem seus próprios caminhos.
As respostas não precisam ser iguais.
Na verdade, não deveriam ser.
Diversidade não significa que todos caminhem pela mesma estrada.
Significa que pessoas e sociedades diferentes podem aprender umas com as outras sem deixar de ser quem são.
Notas da redação
O que é a JCI Japan?
Junior Chamber International Japan — JCI Japan é a organização nacional japonesa integrante da Junior Chamber International.
A JCI desenvolve jovens líderes por meio de quatro áreas principais: desenvolvimento pessoal, impacto comunitário, cooperação internacional e negócios e empreendedorismo.
Existe JCI em Portugal?
Sim.
A JCI Portugal é oficialmente a organização nacional portuguesa da Junior Chamber International.
Atualmente, a JCI registra duas organizações locais em Portugal.
Existe JCI no Brasil?
Sim.
A JCI Brazil integra oficialmente a rede mundial JCI e atualmente possui 38 organizações locais.
O Brasil já liderou a JCI mundial?
Sim.
Victor Boucas, da JCI Brazil, foi presidente mundial da JCI em 1949.
Em 2026, Andreia Conte, também da JCI Brazil, atua como Vice President da JCI mundial.
E o Japão?
O Japão também possui forte presença na liderança internacional.
Em 2026, Keisuke Shimoyamada, da JCI Japan, ocupa o posto de Immediate Past President, e Kengo Suzuki, também da JCI Japan, atua como Vice President na estrutura internacional.
O que significam as 1.779 empresas?
São empresas pertencentes à rede da JCI Japan que foram contabilizadas, no momento da certificação japonesa de 2026, como empresas envolvidas em iniciativas relacionadas a diversidade, equidade e inclusão.
Trata-se de um recorde nacional japonês, e não de um recorde mundial.

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